Nesse artigo, você conhecerá um processo de quatro passos para começar a aprender e usar a Linguagem Limpa em sua prática clínica. E também compreenderá a importância da Modelagem Simbólica na facilitação de mudanças generativas através das metáforas autogênicas. Descubra o poder da Linguagem Limpa na terapia!

 

Espaguete Emaranhado na Minha Cabeça: O Uso de Metáforas Autogênicas na Terapia

Eu estava conversando com outros sete terapeutas e conselheiros durante o almoço em uma conferência quando alguém sugeriu que apresentássemos uma breve descrição da abordagem terapêutica que cada um de nós usamos. À medida que avançamos, descobri que éramos todos de diferentes modalidades: Rogeriana, Cognitiva Comportamental, Psicodinâmica, Gestalt, Transpessoal, Hipnoterapia e Biodinâmica.

Na minha vez, expliquei que me especializei em Modelagem Simbólica, uma abordagem que trabalha com metáforas e símbolos gerados por clientes, usando um conjunto de perguntas denominadas Linguagem Limpa. Eu disse que quando um cliente usa uma metáfora, ela contém a essência estrutural de sua experiência e, em vez de trabalhar diretamente com o problema do cliente, faço perguntas limpas sobre sua metáfora. Então, à medida que a metáfora muda e evolui, a percepção do cliente sobre o problema muda. Com efeito, o cliente aprende a criar uma nova experiência através da evolução de suas metáforas e símbolos.

Para descrever o que eu quis dizer, contei a eles sobre um conselheiro de escola que trabalhava com uma criança que estava ficando emocionalmente perturbada pela incapacidade de aprender matemática e alegava: “- não consigo fazer números na minha cabeça”. Quando o conselheiro perguntou ao garoto como era, a criança disse: “É como espaguete emaranhado na minha cabeça”. Depois de responder a algumas perguntas da metáfora feitas com Linguagem Limpa como “Que tipo de emaranhado? Onde na sua cabeça está esse espaguete emaranhado? Tem mais alguma coisa sobre esse espaguete?” – a criança tinha um sentido bem desenvolvido e incorporado dos símbolos. O conselheiro então perguntou: “E o que esse espaguete gostaria que acontecesse?”. Depois de um momento, ele respondeu: “Ele quer que a água seja derramada sobre ele para que possa escorregar e secar ao sol”. O conselheiro continuou fazendo perguntas sobre os símbolos com Linguagem Limpa e de repente o garoto gritou: “Oh, olhe, o espaguete se juntou em um pedaço. Parece um pedaço de papel e eu posso colocar meus números nele!” Nos meses seguintes, a criança aprendeu matemática porque agora tinha um lugar para ver os números em seus olhos.

Alguns dos meus colegas disseram que trabalharam intuitivamente com as metáforas de seus clientes, mas não sabiam que havia um modelo de linguagem e um processo para fazê-lo e me pediram detalhes sobre essa abordagem…

 

Metáfora

“A metáfora é tão suprema quanto a própria fala, e a fala tão suprema quanto o pensamento… A metáfora aparece como o ato instintivo e necessário da mente, que explora a realidade e ordena a experiência”.  – John Murry, Countries of the Mind, 1931

Nos últimos 25 anos, a pesquisa de muitos neurocientistas, cientistas cognitivos e linguistas convergiu para formar um novo entendimento sobre o funcionamento da mente humana. (1)

As quatro principais conclusões foram:

  • A metáfora é muito mais comum na linguagem cotidiana do que se havia pensado antes. É quase impossível descrever estados internos, ideias abstratas e noções complexas sem usar a metáfora.
  • Normalmente, nem o falante nem o ouvinte conhecem as metáforas que estão sendo usadas.
  • A metáfora é mais do que um dispositivo linguístico; é central na maneira como as pessoas pensam, compreendem o mundo e tomam decisões.
  • Metáforas não são usadas arbitrariamente. Elas são extraídas principalmente de como as pessoas experimentam seu corpo e como ele interage com o meio ambiente.

Por meio da nossa experiência clínica, descrita em Metaphors in Mind: Transformation through Symbolic Modelling (2), acrescentamos:

  • Ainda que as pessoas já façam uso de metáforas e clichês comuns, a partir do momento em que são exploradas, elas se tornam idiossincráticas e únicas para o indivíduo.
  • O uso da metáfora por um indivíduo tem uma lógica coerente que é consistente ao longo do tempo.
  • Uma vez que uma pessoa se acomode em uma perspectiva metafórica específica, há consequências lógicas a seguir. (Se um cliente disser “Quero dar o próximo passo”, será um passo com o pé direito ou com o pé esquerdo? E em que direção ele pisará?)

Gostamos da definição de metáfora usada pelo linguista George Lakoff e pelo filósofo Mark Johnson: “A essência da metáfora é entender e experimentar um tipo de coisa em termos de outra” porque permite se tratar de metáforas verbais e não verbais. (3) As metáforas são compostas por um número de componentes interrelacionados que chamamos de símbolos. Uma metáfora é um todo e símbolos são as partes desse todo. Por exemplo, “Minhas costas estão presas a uma parede” refere-se a três símbolos: minhas costas, uma parede e um cadeado (ou o que estiver fazendo a fixação).

As profissões de cura têm uma longa história com o uso de metáforas e símbolos de várias maneiras. Nosso interesse particular está na metáfora gerada pelo cliente. A frequência com que os clientes usam a metáfora abrange uma ampla variedade. Para alguns, é a língua materna, enquanto os clientes altamente conceituais só recorrem à metáfora quando precisam descrever algo fora do comum. Os clientes geralmente mudam para a metáfora sempre que precisam:

  • Descrever eventos emocionalmente carregados.
  • Expressar algo abstrato em termos mais concretos.
  • Capturar o todo, ou a essência de uma experiência.
  • Condensar muita informação ou um grande número de exemplos.
  • Falar sobre algo obliquamente.
  • Destacar a vivacidade ou a riqueza de uma experiência.
  • Empregar imagens para descrever seus sentimentos e outros estados internos.

Apenas ajudar seu cliente a desenvolver uma descrição metafórica de seu problema pode ser terapêutico por si só. Algumas experiências são muito dolorosas, complexas, abstratas, perigosas, esmagadoras, insolúveis, insondáveis ou indizíveis para serem discutidas em qualquer outro tipo de linguagem. Ser capaz de descrever a experiência em metáforas pode ser afirmativo, catártico e permitir ao cliente reavaliar espontaneamente ou reorganizar sua maneira de pensar sobre seu problema ou situação.

Por exemplo, uma cliente veio abordar os efeitos posteriores de seis anos de incesto por seu pai. Ela se sentou na beirada da cadeira e disse: “Tentei lidar com isso muitas vezes, mas toda vez que começo a me aproximar, levanto e corro, então, esteja preparado”. Sua resposta para o que ela queria da sessão foi “Paz da dor”. Quando perguntado “E essa paz da dor é como o quê?” ela respondeu: “É como se eu estivesse em uma sala de paredes de chumbo olhando pela janela de vidro para uma floresta escura com árvores”. A sessão inteira foi conduzida dentro dessa metáfora, fazendo apenas perguntas de Linguagem Limpa da sala, da janela, das árvores, da floresta e das mudanças sutis que ocorreram nesses símbolos. Quando ela voltou para sua segunda sessão, disse: “Nunca contei a ninguém as coisas que contei pra você na última sessão”.

É importante notar que, embora as metáforas criem insights, elas também criam maneiras de não ver. As metáforas podem libertar e capacitar, e também podem limitar e desempoderar. Elas podem ser uma ferramenta para a criatividade ou uma prisão auto-imposta. Mais adiante neste artigo, forneceremos um processo direto de quatro etapas que permitirá que você facilite seus clientes a desbloquear sua criatividade e abrir as portas da prisão.

 

Metáforas Explícitas e Implícitas

Todos conhecemos metáforas explícitas. Se um cliente disser:

  • Estou carregando o mundo nas minhas costas.
  • Eu acho que estou rachando.
  • Eu vejo uma luz no fim do túnel.

Quando pessoas falam assim, obviamente estão falando metaforicamente. Sabemos que o cliente não se transformou em “Atlas” ou em um ovo, e que não está em um túnel real; mas sim, que coisas e comportamentos cotidianos (tais como costas, mundo, rachaduras, luz e túneis) estão sendo usados para simbolizar ou representar outras experiências: responsabilidade excessiva, um estado de espírito indesejado e busca de esperança.

Surpreendentemente, metáforas explícitas não são o tipo mais comum de metáfora. A maior parte da linguagem cotidiana contém expressões tão familiares para nós que, a menos que paremos e pensemos, não sabemos que são metáforas. Por exemplo, você notou que cada um dos pontos acima contém uma metáfora diferente (carregada, concreta, capturada, condensada, obliquamente, realçada, empregada)?

Por que a maioria das metáforas passa despercebida? Porque tendemos a prestar atenção às palavras do cliente que descrevem o porquê e o que estão experimentando – em vez de ouvir as metáforas implícitas que descrevem como estão percebendo o porquê e o quê. Se um cliente disser “Sinto que preciso encontrar um propósito para minha vida”, quais palavras chamam sua atenção? Sinto? Propósito? Preciso? Vida? Se você estivesse pensando em uma metáfora, “Encontrar” teria saltado aos seus olhos. Para ilustrar a importância das metáforas implícitas, suponha que o cliente tenha dito:

  • Sinto que preciso revelar um propósito para minha vida.
  • Sinto que preciso arranjar um propósito para minha vida.
  • Sinto que preciso me conectar com um propósito para minha vida.
  • Sinto que preciso atrair um propósito para minha vida.
  • Sinto que preciso explorar um propósito para minha vida.

Dependendo da metáfora, nosso senso de experiência do cliente muda. E isso porque a maneira como eles precisam de um propósito para a vida deles difere em cada exemplo.

 

Audição Literal

Como a maioria das metáforas na linguagem cotidiana é implícita ou oculta, como você pode aprender a percebê-las?

Uma maneira é interpretar as palavras de seus clientes literalmente e perguntar a si mesmo: o cliente está realmente fazendo o que está descrevendo? Caso contrário, eles estão falando em metáfora. Por exemplo, se um cliente disser “Quero deixar meu passado para trás”, será que ele mudará fisicamente o passado de onde quer que esteja para algum lugar atrás dele? Obviamente não – portanto, é uma metáfora. Chamamos isso de escuta literal.

Outra maneira de identificar metáforas implícitas é ouvir palavras sugerindo espaço ou força. Como Stephen Pinker diz:

“O espaço é uma das duas metáforas fundamentais da linguagem. A outra é a força. Muitos cientistas cognitivos (inclusive eu) concluíram, a partir de suas pesquisas em linguagem, que um punhado de conceitos sobre lugares, caminhos, movimentos, agência e causação está subjacente ao literal ou significados figurativos de dezenas de milhares de palavras e construções, não apenas em inglês, mas em todas as outras línguas estudadas”. (4)

Para ilustrar o argumento de Pinker, quase todo exemplo de metáfora dado neste artigo utiliza espaço ou força metafórica. No exemplo “quero deixar meu passado para trás”, “deixar” exige força e “para trás” envolve espaço.

Na Modelagem Simbólica, agimos como se as metáforas dos clientes fossem reais – porque subjetivamente são – e fazemos perguntas que reconhecem sua experiência metafórica. Então, poderíamos ter respondido da seguinte forma:

E quando você quer deixar seu passado para trás, onde especificamente é esse para trás?

Ou,

E quando você quer deixar seu passado para trás, que tipo de ‘deixar para trás’ é esse deixar?

Essas perguntas são exemplos da linguagem limpa de David Grove. Você notará que as perguntas usam as palavras exatas do cliente. Para destacar o formato da pergunta limpa, colocamos as palavras do terapeuta em negrito. Para você, como observador, essas perguntas podem parecer estranhas, mas para o cliente elas farão sentido porque são consistentes com a lógica de sua metáfora.

Se você deseja cultivar um ouvido para a metáfora, recomendamos que você faça transcrições de clientes, artigos de jornal e entrevistas na TV, destacando todas as metáforas explícitas e implícitas. Isso aumentará sua conscientização sobre a metáfora, para que você possa facilmente ‘selecioná-las’ das narrativas de seus clientes.

 

Linguagem Limpa

Nos anos 80, David Grove desenvolveu métodos clínicos para resolver memórias traumáticas, especialmente aquelas relacionadas ao abuso infantil, estupro e incesto. Ele percebeu que muitos clientes naturalmente descreviam seus sintomas em metáfora, mas se ele fizesse perguntas comuns sobre suas metáforas, eles rapidamente retornavam à narrativa cotidiana, perdendo o benefício da perspectiva simbólica. No entanto, quando ele perguntava sobre as metáforas usando perguntas muito simples e as palavras exatas do cliente, a percepção do trauma começava a mudar. Isso o inspirou a criar uma Linguagem Limpa, uma maneira de fazer perguntas que preservam a lógica das metáforas dos clientes.

As perguntas de Linguagem Limpa são “limpas” porque não contaminam inconscientemente a experiência do cliente com suas metáforas e suposições. Elas direcionam a atenção dos clientes para vários aspectos de suas metáforas. As 12 questões básicas sobre linguagem limpa são tudo o que você precisa para desenvolver uma metáfora, trabalhar com ela e amadurecer as mudanças à medida que elas ocorrem:

ATRIBUTOS

  • E tem/há mais alguma coisa sobre (esse) [x]?
  • E que tipo de [x] (é esse [x])?

LOCALIZAÇÃO

  • E onde / onde especificamente é/está [x]?

METÁFORA

  • E esse [x] é como o quê?

RELACIONAMENTO

  • E há algum relacionamento entre [x] e [y]?
  • E quando [x], o que acontece com [y]?

SEQUÊNCIA

  • E o que acontece logo antes de [x]?
  • E então o que acontece? / E o que acontece em seguida?

FONTE

  • E de onde [x] poderia ter vindo?

INTENÇÃO

  • E o que [você/x] gostaria que acontecesse?
  • E o que necessita acontecer para [x]?
  • E pode (acontecer) [x]?

Perguntas de Linguagem Limpa são incomuns porque são solicitadas à metáfora, não ao cliente, e não contêm nenhuma referência ao terapeuta. Elas são simples e tudo o que precisa ser adicionado é uma seleção das palavras exatas do cliente, representadas acima por [x] e [y]. Fazer apenas algumas perguntas de Linguagem Limpa pode produzir respostas surpreendentemente perspicazes e eficazes.

Uma das maneiras mais valiosas de utilizar a Linguagem Limpa é o cliente desenvolver uma metáfora para um recurso, qualidade ou força. Passar 10 minutos facilitando seu cliente a uma experiência incorporada de um aspecto valorizado do Eu, pode às vezes valer 10 sessões de análise do problema. Uma vez que se torna disponível uma metáfora de recurso a um cliente, ela pode ser chamada a qualquer momento nas sessões subsequentes ou pelo cliente quando estiver numa situação problemática. Às vezes, nem é importante qual é o recurso ou se é uma solução óbvia para o problema. O simples acesso a uma metáfora fortalecedora e ao estado fisiológico de recursos que a acompanha pode resultar em o cliente estabelecer novas maneiras de se comportar.

Usada durante um período de tempo, a Linguagem Limpa permite que o cliente se familiarize e aprenda com seu próprio mundo simbólico. Conheça abaixo um processo de quatro estágios para trabalhar com metáforas geradas pelo cliente:

  1. Identificar uma Metáfora
  2. Desenvolver a Metáfora
  3. Trabalhar com a Metáfora
  4. Maturar as Mudanças

 

1. Identificar uma Metáfora

Alguns clientes usam espontaneamente uma metáfora explícita para descrever um sentimento, problema, situação, sintoma, desejo, etc. Quando eles desempenham o seu papel, simplesmente percebem que mudaram para uma maneira simbólica de descrever sua experiência e então você pode passar diretamente para o Estágio 2.

Com outros clientes, você pode precisar assumir uma função mais ativa. Você pode fazer isso quando o cliente usa repetidamente uma metáfora implícita ou quando deseja facilitar a conversão de uma descrição conceitual ou sensorial em uma metáfora. O exemplo a seguir é uma maneira de fazer isso.

C = Cliente, T = Terapeuta, O texto em negrito destaca a pergunta limpa.

C: Fico com tanta raiva dos meus filhos. Eu não consigo me parar. Sinto muito depois. Eu só queria não ficar com tanta raiva.

T: E quando fica com tanta raiva dos seus filhos, que tipo de raiva é essa raiva?

C: Uma raiva que consome tudo.

T: E quando uma raiva que consome tudo, onde é essa raiva?

C: Aqui, por dentro (o cliente toca o estômago).

T: E onde especificamente por dentro?

C: No meu estômago.

T: E onde especificamente no seu estômago?

C: No núcleo.

T: E que tipo de núcleo é esse núcleo?

C: É quente.

T: E tem mais alguma coisa sobre esse núcleo quente no seu estômago?

C: Começou a borbulhar.

T: E quando esse núcleo quente em seu estômago começa a borbulhar, começa a borbulhar como o quê?

C: Como um vulcão.

 

2. Desenvolver a Metáfora

Às vezes, apenas duas ou três perguntas de Linguagem Limpa são suficientes para que o cliente fique curioso sobre suas próprias metáforas. Outras vezes, leva um pouco mais de tempo, mas, mais cedo ou mais tarde a maioria dos clientes ficam surpresos quando uma metáfora que eles mal haviam pensado duas vezes pudesse ser tão rica e reveladora. À medida que a metáfora se desenvolve, os clientes se conectam a ela cognitiva, emocional e fisicamente: eles incorporam a metáfora ao representá-la ou gesticulando para onde os símbolos estão localizados em seu espaço perceptivo; eles sentem um efeito inesperadamente alto que acompanha um problema aparentemente menor ou uma reação emocional surpreendentemente baixa em relação a um incidente grave; eles se envolvem em explicar o que a metáfora significa; ou a metáfora aciona uma memória. De qualquer maneira que eles respondam, a metáfora chamou sua atenção.

T: E que tipo de vulcão?

C: Velho e retorcido.

T: E tem mais alguma coisa sobre o borbulhar do vulcão velho e retorcido?

C: Quando as bolhas atingem a superfície, há fumaça e eu estou pronto para explodir.

T: E o que acontece logo antes de estar pronto para explodir?

C: Eu tento limitar.

T: E quando tenta limitar, o que acontece?

C: A pressão aumenta.

T: E quando a pressão aumenta, o que acontece com a fumaça?

C: [Pausa] Estranho, eu nunca percebi, mas não pode ir a lugar algum. Mistura-se com as bolhas e as torna ácidas. Não é de admirar que eu tenha tantos problemas por lá.

Como regra geral, recomendamos que você continue desenvolvendo os atributos dos símbolos e os relacionamentos entre eles por mais tempo do que você imagina. Ainda que o seu cliente descubra o que Carl Jung chama de “algo extra”, geralmente há mais “algo extra” nisso. (5)

Depois que um cliente desenvolve uma metáfora, solicitamos que a desenhe durante a sessão ou em casa, colocando-a onde a verá regularmente.

 

3. Trabalhar com a Metáfora

Depois que um cliente se envolver com uma metáfora, você tem várias opções, dependendo da sua maneira preferida de trabalhar. Você pode:

  • Abordar os sentimentos do cliente associados à sua metáfora em um processo no aqui e agora.
  • Usar os elementos da metáfora para contar uma história que aponte para uma resolução.
  • Pedir ao cliente para assumir a posição de um símbolo na metáfora.
  • Resolver conflitos dentro da metáfora usando terapia de partes.
  • Explorar as suposições e crenças limitantes contidas na metáfora.
  • Renomear o significado da metáfora.
  • Ajudar os clientes a encontrar onde há pontos de escolha na metáfora.
  • Explorar a metáfora como uma descrição da transferência.
  • Fazer uso de técnicas de regressão, etc…

Nossa maneira preferida de trabalhar, Modelagem Simbólica, se mantém inteiramente dentro da lógica da metáfora, ao continuar a fazer perguntas de Linguagem Limpa e seguir a direção natural da metáfora à medida que ela evolui e se desdobra. Embora a natureza da metáfora de um cliente possa levá-lo a alguns becos sem saída ou girar em círculos, no final, a metáfora contém as sementes de sua própria transformação. As mudanças que surgem organicamente são geralmente mais generativas, ecológicas e apropriadas do que qualquer coisa que poderíamos ter sonhado criar para ajudar o cliente.

T: E borbulhar e fumaça e você tenta limitar, e está pronta para explodir e a pressão aumenta e as bolhas são ácidas. E quando começa a borbulhar, o que você gostaria que acontecesse?

C: De não deixá-los chegar até a mim.

T: E quando eles não chegarem até você, o que acontece?

C: Eu mantenho a calma.

T: E tem mais alguma coisa quando mantém a calma?

C: Não consigo descrever, é meio que… fluido… fluindo…

T: E quando você mantém a calma e fluido, fluindo, é fluido, fluindo como o quê?

C: Como uma… como uma nascente em uma montanha.

T: E de onde essa nascente em uma montanha poderia ter vindo?

C: Meu coração [ambas as mãos no peito].

T: E onde especificamente em seu coração ?

C: No núcleo.

T: E uma relação entre o núcleo do seu coração e o núcleo do seu estômago?

C: Sim, quando meu coração está calmo, posso falar sobre como estou me sentindo.

T: E o que necessita acontecer para o coração manter a calma quando começa a borbulhar?

C: [Longa pausa] As bolhas precisam fazer a nascente fluir mais. Isso neutraliza, mantém meu coração calmo e eu posso me expressar claramente.

T: E podem as bolhas fazer a nascente fluir mais?

C: Agora elas podem!

 

4. Maturar as Mudanças

Qualquer que seja a abordagem que você use, em algum momento a metáfora começará a mudar. Em seguida, a Linguagem Limpa pode ser usada para amadurecer as mudanças, para que elas evoluam e se espalhem em uma reação em cadeia ou efeito ondulatório. Por fim, as mudanças na metáfora se consolidam em uma nova maneira de perceber e experimentar, e o cliente se sente diferente sobre si e seu mundo (mesmo que você e eles não entendam como ou por que isso está acontecendo).

Esse processo é como transformar uma muda pequena em uma planta robusta capaz de suportar o vento e a chuva. Então, quando o cliente volta ao seu dia a dia, as mudanças que ele fez são incorporadas o suficiente para prosperar diante de seus hábitos, expectativas dos outros, decepções, etc.

T: E quando as bolhas podem fazer a nascente fluir mais, o que acontece?

C: A nascente pode me acalmar e eu não terei essa sensação de explosão.

T: E o que acontece com o vulcão?

C: A cratera se enche de água e se torna um lago.

T: E o que acontece em seguida?

C: Eventualmente, ele se extinguirá… se tornará um reservatório.

T: E que tipo de reservatório?

C: Um lindo reservatório de água azul onde as pessoas podem brincar.

T: E quando a nascente da montanha pode acalmar você e você não tem essa sensação de explosão, e o vulcão se torna um lindo reservatório de água azul e as pessoas podem brincar, o que acontece com a raiva que consome tudo?

C: Eu posso conter [sorri].

T: E tem mais alguma coisa que você precisa agora antes de encerrarmos?

C: Não. Obrigado.

Este exemplo ilustrativo é uma versão condensada do processo de quatro estágios. Exemplos de sessões inteiras com clientes podem ser encontradas em www.cleanlanguage.co.uk e no DVD, A Strange and Strong Sensation. (6)

 

Observações Finais

Todos os clientes usam metáfora. Quando você ouve literalmente as metáforas que seus clientes estão usando e faz algumas perguntas de Linguagem Limpa, elas dão vida às metáforas e podem surgir organicamente ideias surpreendentes, novos entendimentos e novas soluções. Então você pode usar o processo de aconselhamento ou terapêutico de sua escolha para trabalhar com essas informações. Ou você pode continuar usando a Modelagem Simbólica como um processo em si.

A Modelagem Simbólica pode ser particularmente útil para trabalhar com grandes problemas, e aqueles problemas aparentemente intratáveis, como padrões de vínculos e vínculos duplos (binding and double binding patterns). A Modelagem Simbólica também é excelente para trabalhar com crianças, casais e famílias. Também está sendo usado na educação de necessidades especiais, com problemas de saúde e sintomas físicos, além de treinamento em esportes e negócios.

Essa abordagem é muito simples: apenas 12 perguntas para usar – o que poderia ser mais fácil? Por outro lado, há muito mais nessa abordagem do que os olhos podem ver. Encontre oportunidades para fazer aos seus clientes algumas perguntas de linguagem limpa para suas metáforas e símbolos – pois assim você se familiarizará com as perguntas. E então, independente de qual seja a sua formação como terapeuta, você poderá descobrir que a Modelagem Simbólica pode desempenhar um papel importante em seu trabalho, facilitando os seus processos.

 

 

Autores do Artigo: Penny Tompkins, Wendy Sullivan e James Lawley

Penny Tompkins e James Lawley são psicoterapeutas, supervisores e treinadores de PNL da UKCP – United Kingdom Council for Psychotherapy (Conselho Britânico de Psicoterapia) desde 1993. São os criadores da Modelagem Simbólica e autores do livro Metaphors in Mind, o primeiro guia abrangente de Modelagem Simbólica usando a Linguagem Limpa de David Grove. Conheça outros artigos de James e Penny através do site: cleanlanguage.co.uk

Wendy Sullivan é uma fonoaudióloga e instrutora de PNL certificada. Ela trabalha como psicoterapeuta, coach e facilitadora de modelagem simbólica. É co-autora de um livro introdutório em linguagem limpa, Clean Language: Revealing Metaphors Opening Minds.

Este texto foi publicado pela primeira vez em Therapy Today , Journal of the BACP , outubro de 2005.

Este artigo foi traduzido por Welber Silva para a Comunidade Clean Language Brasil. Você pode acessar a publicação original através do link: Tangled Spaghetti in My Head: Making use of metaphor

Referências:

(1) George Lakoff & Mark Johnson, Philosophy in the Flesh, Basic Books, New York, 1999.

(2) James Lawley & Penny Tompkins, Metaphors in Mind: Transformation Through Symbolic Modelling Developing Company Press, London, 2000.

(3) George Lakoff & Mark Johnson, Metaphors We Live By, The University of Chicago Press, Chicago, 1980.

(4) Steven Pinker, How the Mind Works, The Softback Preview, UK, 1998.

(5) Carl Jung, Man and his Symbols, Picador, London 1964.

(6) Penny Tompkins & James Lawley, A Strange and Strong Sensation (DVD), The Developing Company Press, London, 2003.